6/29/2017

Contos & Poesias: Sufoquei -Saskia Caroline

Hey gente, tudo bem? 

Enfim resolvi aparecer de novo! Desculpe o sumiço, mas agora voltamos a todo vapor! E pra começar com o pé direito, vamos voltar com um conto da nossa co-administradora, espero que gostem!
Sufoquei. 
Sufoquei.
Sufoquei.
Su
Fo
Quei
Será que se eu disser isso várias vezes vai parar de sufocar? Como aquelas palavras que repetimos várias vezes e que acabam perdendo o sentido. 




É possível sufocar de tantos sentimentos? Acho que sim, não sei. 
Sufoquei.
É que talvez eu seja mesmo essa alma perdida que já se deu demais, que já correu demais e num ponto do mapa cansou. 
Porque viajei, viajei pelo meu corpo, viajei pelas ruas, e viajei por corpos não meus. 

Desenhei enigmas em corpos que nem eu mesmo sabia responder, mas que voltavam ao mesmo ponto principal, sentimentos.
Somos enigmas não somos? Eu e você. Nós e todos os outros. Emaranhados de fios, de ciclos se completando e fechando a cada segundo, então como controlar? 
Como controlar todas as informações que meus olhos vêem num segundo só? 
E as vezes que meu coração bate em um minuto? 
E o som que ele faz quando explode nos meus ouvidos sem nenhuma sintonia por se sentir vivo quando a adrenalina me percorrem? 

Tamanha adoração eu sinto por cada pequeno pedaço de tudo que se completa, mas mesmo assim sufoquei. 
Sufoquei. 
Sufoquei porque em certo momento foi demais pra mim, tantos fios emaranhados, tantas palavras não ditas, ou ditas cedo demais, tantos amores platônicos, tantas lágrimas infinitas, tantas vidas numa só, é normal? Não sei, talvez seja.

Então de tanto sufocar, explodi, poeira cósmica que sou, explodi cores que nunca vi, explodi gritos que nunca ouvi, explodi sorrisos que há tanto não via. Explodi por mim, por você e por tantos que precisam explodir, e me livrei. 
Me livrei da dor, do sufoco, ah e das lágrimas infinitas também. 
Explodi e só mantive guardado numa caixa quadricular parda somente o que precisava, o que nunca mais me faria explodir. Meu par de all star azul, aquele disco que nunca vou perder, meu exemplar surrado de tanto que já li com tantas páginas marcadas, e alguém, alguém que só vai me fazer explodir sorrisos invés de angústia. 
Eu fui, eu sou, eu deixei ir, prometi nunca me deixar ir.


Até a próxima!