Contos & Poesias: Aceitação - Saskia Caroline

em 13 de dezembro de 2017

        HEY GENTE, TUDO BOM!?



Nessa semana foi lançado o filme" Extraordinário" baseado no best-seller com o mesmo nome, ao qual aborda um assunto de aceitação e bullying, nesse mesmo pique, nossa escritora do blog fez um texto com essa mesma pegada. Espero que gostem !







      " Não deixe ninguém parar você"





Aos 12 anos de idade eu deixei de gostar de mim.
Você pode pensar "mas você era nova demais pra isso", eu acho que você já ouviu dizerem que crianças são cruéis não é?
Pois bem, elas são. Elas me diziam que eu era errada, que meu cabelo não era certo, que meu nome era estranho. E elas riam de mim, riam até não conseguirem mais.
Hoje vocês chamam isso de bullying e fazem palestras sobre, mas na minha época essa palavra não existia, então, se uma criança chegasse em casa chorando porque as crianças estavam dizendo que ela era errada a maioria dos adultos dizia que era só brincadeira de criança.
Eu abandonei minha natureza aos 13 quando fui até a minha mãe e disse que não queria mais o cabelo que eu tinha, pensei eu que agora seria certa. Abandonei meus cachos, alisei o cabelo e sonhei que agora tudo ia ficar bem.
Não ficou.
Mudei o cabelo, mudei a personalidade, o jeito de falar, me tornei insegura e ansiosa demais. Nunca senti orgulho de mim. Cada dia novo indo ao colégio era um inferno por dentro e fora.
Eu sentia medo de ser quem eu era. Eles me excluíram, mentiram pra mim, me xingaram.
Eles disseram que eu era errada, que eu não servia.
Aos 14 eu descobri que era adotada, mais um pedaço da minha natureza se perdeu. Passei semanas sem saber como lidar com as pessoas que viviam comigo.
Agora, eu me convencia de que eu era errada, que eu não servia.
Aos 15 eu conheci o empoderamento, o ser você, mas não voltei a minha natureza, não completamente. Aos poucos fui tentando ser eu de novo, resgatar minha personalidade e tentar não ouvir os: você é errada, que algumas pessoas ainda me diziam através do olhar.
Aos 16 eu ainda não era eu, e tudo piorou.
Quando você conhece uma pessoa legal, interessante, você fica nervosa, porque você quer que ela goste de você, você espera, deseja. E então você tenta se adaptar a essa pessoa, tenta ser o que ela quer. Mas isso não é certo, você não pode deixar de ser quem é só porque alguém não te olha do jeito que você quer, com carinho ou amor. Existem milhares de pessoas no mundo, e uma delas vai gostar de você.
Mas, você não pode esperar que alguém goste de você se você não for quem é de verdade.
Então, aos 18 eu finalmente me tornei certa pra uma única pessoa que importava, eu mesma.
Voltei a minha natureza, cacheada, revoltada para alguns, tempestade pra mim mesma.
Aos 18 eu fui chamada de intensa, e no primeiro momento parecia um defeito, mas sinceramente? Ser raso nem sempre te permite vivenciar as melhores coisas da vida.
Então se você é intenso, cacheada ou lisa, com sardas ou não. Grite pra si e pro mundo, só não deixe ninguém parar você.
O mundo é seu.